segunda-feira, 21 de abril de 2014

Sonho de Ícaro

Paixões são como asas. Ao contrário do que muitos pensam, elas não te prendem, mas te libertam, transformando-nos em seres alados e nos dando a liberdade de voarmos até o infinito e voltarmos quantas vezes quisermos. São essas asas que nos permitem viver novos encantos, novos lugares, novas histórias. São elas que nos aproximam de um ideal de felicidade que buscamos com tanto afinco, em que basta um ruflar de suas penas, nos paralisam como num encanto mágico. Ruborizam nossa face, petrificam aquele sorriso bobo no rosto, aceleram o coração e evidenciam o nervosismo em qualquer simples frase. A gente não sabe se gagueja, sorri, fala, faz cara de paisagem, esconde a cara ou sai correndo dizendo que esqueceu o fogão aceso. As asas nos levam a ilhas paradisíacas, quedas d'água revigorantes, passeios de mãos dadas no parque ou à sorveteria da esquina para tomar sorvete de tapioca no copo. Lugares onde os nossos sonhos nos levam ou até onde o dinheiro guardado no pote de margarina der. As asas também nos dão superpoderes! O peito se enche de coragem e valentia e enfrentamos armados de vassoura e havaiana aquela barata voadora na sala, os braços quadruplicam seus músculos para abrir o pote de azeitona até o dedão dar cãibra, as pernas se tornam fortes e ligeiras para subir 3 andares de escada com o garrafão de água nas mãos sem parar nenhuma vez no meio da escada (só nos intervalos entre os andares), o corpo fica esguio e ágil para levantar do sofá substituindo o seu colo por uma almofada sem deslocar um fio de cabelo dela que deita sobre você.

Mas paixões são finitas. Terminam por inanição ou por decreto. Se espera deslizar por entre os dedos como um punhado de areia ou por se voar alto demais por algo inexistente. Somos alados como no sonho de Ícaro. Tão cegos e absortos em nosso próprio mundo perfeito criado por nossa mente, que esquecemos serem feitas de cera as nossas asas. O Sol nada mais é que o fim do sonho, o que derrete suas asas e te joga de volta ao mar da realidade.

Um comentário:

Odontologia Ufba disse...

Romantismo com pitadas de realidade.
Ex:"Até onde o dinheiro no pote de margarina der." Tirou meu sorriso bobo da cara,mas é assim mesmo está apaixonado.